CONFIRA A LEGISLAÇÃO DO
TÉCNICO CITADA NO LIVRO
Prefácio 1ª edição
Ricardo Mattoso de Souza
Secretário escolar
E.M. Maestro Lorenzo Fernandes – SME/RJ
Reponsável pelo projeto gráfico e diagramação do livro
A Trajetória Histórica do Profissional Técnico Industrial, na narrativa de Antonio Ricardo de Souza, é uma abordagem abrangente sobre a profissão, o autor explora com habilidade as mais diversas dimensões da atividade técnica com uma literalidade simples e objetiva.
Logo no primeiro capítulo, "O homem, dentre outras coisas, um técnico", nos leva a uma viagem sobre a própria evolução humana com objetivo de evidenciar o caráter essencialmente técnico do homem.
Em seguida, após refletida a relação natural do homem com a utilização de técnicas, realiza no capítulo "Antecedentes históricos" uma abordagem de reflexão e crítica de fatos e contextos históricos onde são relevantes fatores econômicos, sociais, políticos e geográficos. Destaca-se, neste sentido, o momento em que o Brasil se lança em um projeto nacional de industrialização.
A partir deste momento, no capítulo "O surgimento do profissional técnico industrial" a reflexão é direcionada as iniciativas da elite dirigente na formação do contingente de mão de obra que lidaria com a nova realidade, e para isso criaria um arcabouço legal e normativo na orientação da escalada industrial pretensa.
A questão da formação deste contingente de mão de obra é aprofundada no capítulo seguinte "O Técnico no mundo do trabalho" com a exploração do tema educação. Este era o principal instrumento utilizado pela elite dirigente na busca do objetivo de manutenção de privilégios face a massa trabalhadora que deveria produzir.
Apesar da manipulação histórica de instrumentos legais de cerceamento da atuação e desenvolvimento do técnico industrial foram realizados avanços. Esta é a abordagem do quinto capítulo "Esclarecimentos, dúvidas e comentários" onde começa a fase conclusiva da trajetória apontando os avanços na legislação educacional, na regulamentação da profissão e em parâmetros constitucionais. Neste capítulo o autor se dedica ao esclarecimento da identidade profissional do Técnico Industrial, de suas atribuições legais, atividades, direitos e utilidades específicas no Brasil, desde os primórdios da política industrial neste país.
A conclusão que se chega desta trajetória, e essa é abordagem final "Conclusão" é que mesmo diante das forças do poder que sempre tentaram submeter os trabalhadores e profissionais técnicos, as circunstâncias gerais baseadas na natureza técnica intrínseca ao homem se impuseram e hoje mesmo ainda havendo distorções quanto ao seu papel e atuação profissional e a profissão de Técnico Industrial é legitimada e ocupa papel fundamental no processo de desenvolvimento nacional em curso. Outra conclusão relevante que se chega é que por todos os motivos citados falta ainda consciência ao próprio profissional e estudante técnico de sua história e de seu papel político, econômico e social.
É este o maior valor desta obra, pois traz elementos capazes de conscientizar o Técnico Industrial sobre si mesmo, como profissional. Exorto que ao ler esse livro se tenha em mente que este é resultado da experiência de vida do autor como Técnico Industrial e do desafio de realizar um trabalho científico em um projeto que visava formar profissionais capacitados a formar outros profissionais para respectiva área.
Considerando todo o exposto recomendo a leitura da "Trajetória Histórica do Profissional Técnico Industrial" a professores, empresários, autoridades e, sobretudo, a estudantes de diversas áreas do conhecimento e atividades.
Prefácio 2ª edição
Gilberto Palmares
Presidente do CRT-RJ
Contar a rica e combativa história dos técnicos industriais brasileiros é recuperar a memória do desenvolvimento econômico e da formação da mão-de-obra industrial do país.
Ao segurar este livro pela primeira vez, tive a certeza de que a vida de um técnico industrial estava ali, naquelas páginas moldadas por suas lutas, ideais e projetos. Antonio Ricardo de Souza, técnico industrial formado pelo Colégio Metalúrgico Elpídio Evaristo dos Santos, é o testemunho vivo de mais de cinco décadas dedicadas ao trabalho. Sua trajetória em empresas importantes no cenário nacional e internacional, como Telerj, Estrela, Indústria Villares e Furnas, é feita das mesmas mãos que hoje escrevem esta reflexão de extrema importância.
Esta obra nasce de um observador crítico, que viveu na pele os desafios e as glórias de ser um técnico industrial no Brasil. Antonio conhece o peso das ferramentas e o poder do ensino - onde, como diretor de ensino do SINTEC/RJ (2002–2005), ajudou a formar gerações. E é essa voz que nos guia por mais de 300 páginas, nos lançando questionamentos sobre “O que é saber técnico?", passando pela própria história do nosso país, explicando a longa e, muitas vezes, penosa caminhada, da revolução industrial, às consequências da abolição tardia da escravidão, a negligência educacional e os interesses capitalistas que moldaram - e distorceram - o papel do trabalhador técnico.
Com extrema lucidez, Antonio expõe as "razões perversas" que segregam profissões e mantiveram desigualdades. Ele não teme revisitar nenhum tema: as manipulações legais que cercearam a profissão, as amarras do sistema CONFEA/CREA, e as experiências malsucedidas que precisam ser lembradas para não se repetirem. Mas também celebra conquistas: os avanços na legislação educacional, a regulamentação da profissão e os direitos duramente conquistados. O que mais chama atenção no livro é a forma humana como as situações são descritas. A luta dos técnicos industriais - a nossa luta - ao longo dos tempos não se dá por meio de um reconhecimento abstrato, mas por um lugar justo na cadeia produtiva — onde nosso conhecimento salva vidas, constrói cidades e move o Brasil.
Este prefácio, então, é um convite. Um convite a refletir com um homem que transformou seu ofício em missão. Que suas palavras nos lembrem sempre que, por trás de cada máquina, há mãos que a dominam; por trás de todo progresso, há técnicos industriais que o tornam possível. E que Inteligência Artificial nenhuma, em tempo algum, poderá substituir.